A Mercedes-AMG não perdeu tempo em apresentar o seu primeiro veículo totalmente elétrico, o Mercedes-AMG GT 4-Door Coupe. Este lançamento marca uma nova era para a divisão de performance da marca alemã, que busca conciliar a potência eletrificada com a alma sonora e sensorial que define os modelos AMG. A introdução deste Mercedes AMG GT elétrico visa atrair tanto entusiastas da eletrificação quanto os fiéis seguidores da marca que valorizam a experiência de condução tradicional.
Em um evento que mais se assemelhava a um encontro de supercarros em Los Angeles, a Mercedes exibiu um AMG GT pronto para as pistas, mas com uma novidade que gerou polêmica: sons artificiais de motor. A estratégia da marca é clara: transpor o legado da AMG para a era dos veículos elétricos sem perder a essência. Contudo, a aceitação dessa abordagem por parte dos consumidores mais tradicionais ainda é um ponto de atenção, especialmente após experiências passadas onde mudanças estéticas foram mal recebidas.
Para conquistar esse público exigente, a Mercedes-AMG integrou ao Mercedes AMG GT elétrico não apenas um desempenho de ponta, mas também uma experiência sensorial que remete aos icônicos motores V8. Isso se manifesta através de sons sintéticos de V8, simulação de trocas de marcha e vibrações programadas. O objetivo é oferecer a brutalidade da aceleração elétrica combinada com a familiaridade nostálgica dos motores a combustão.
Desempenho e Tecnologia de Ponta no Mercedes AMG GT Elétrico
A base técnica para este Mercedes AMG GT elétrico provém do conceito Mercedes GT XX, que demonstrou a capacidade de longas distâncias em EVs. O destaque mecânico reside nos motores de fluxo axial, uma tecnologia que a Mercedes afirma ser a primeira em um veículo elétrico de produção em série. Essa arquitetura é notavelmente mais compacta e oferece maior densidade de torque. Cada um desses motores, com menos de 8,9 cm de espessura, é significativamente menor e mais leve que os motores radiais convencionais, prometendo o dobro de densidade de torque e o triplo de densidade de potência.
A aquisição da YASA, fornecedora de motores de fluxo axial para hipercarros híbridos como Koenigsegg Regera, Ferrari SF90 e Lamborghini Revuelto, em 2021, fortaleceu a capacidade da Mercedes-Benz nesta área. No AMG GT, três motores de fluxo axial são empregados: um na dianteira e dois na traseira. Essa configuração, apesar de não ser um motor por roda, aproveita as vantagens de tamanho e eficiência da tecnologia.
No topo da linha, o Mercedes-AMG GT 63 impressiona com até 1.169 cv em modo de launch control, quando a bateria está acima de 80%. O modelo GT 55 entrega 816 cv, e a plataforma é capaz de suportar até 1.318 cv. Essa potência supera inclusive a do híbrido Mercedes-AMG ONE, que entregava 1.064 cv e custava cerca de US$ 2,7 milhões, reforçando o discurso da Mercedes de ter o “mais forte da história” em seu portfólio.
As acelerações são igualmente impressionantes. O GT 63 atinge 0–100 km/h em apenas 2 segundos, vai de 0–200 km/h em 6,4 segundos e alcança velocidades máximas de 300 km/h. Já o GT 55 completa 0–100 km/h em 2,4 segundos e 0–200 km/h em 8,7 segundos. A aerodinâmica ativa opcional, presente no assoalho, aerofólio, entradas de ar e difusor traseiro, adiciona ainda mais eficiência e performance. O difusor traseiro ativo é, segundo a Mercedes, uma estreia mundial.

Sons Sintéticos e Modos de Condução: A Alma da AMG nos EVs
A experiência de condução do Mercedes AMG GT elétrico é moldada por seis modos de condução pré-configurados e um modo personalizável. No modo Sport+, os recursos de simulação ganham destaque. O “V8 fake” em conjunto com um câmbio simulado de 9 marchas, controlado por aletas no volante, busca replicar a sensação de um motor a combustão. Essa simulação inclui um conta-giros que aponta para 7.000 rpm e vibrações nos bancos, com os motores elétricos operando em rotações significativamente mais altas (13.000 rpm na traseira e 15.000 rpm na dianteira).
No modo Race, a AMG promete eliminar as interrupções de torque e as trocas de marcha falsas para entregar uma aceleração contínua. Nos demais modos, o “teatro” sonoro e sensorial é uma opção à escolha do motorista, permitindo personalizar a experiência. Essa abordagem demonstra o esforço da marca em oferecer uma transição suave para a eletrificação, sem alienar sua base de clientes.
A bateria de 106 kWh utiliza uma combinação de ânodo de silício e cátodo NMCA, com potencial ligação à tecnologia da Sila Nano. A autonomia estimada pelo ciclo WLTP varia entre 597 e 700 km, embora os números para o mercado americano (EPA) tendam a ser inferiores. O sistema opera em 800 V e suporta carregamento de até 800 A, com picos de potência acima de 600 kW. Essa tecnologia permite recarregar de 10% a 80% em aproximadamente 11 minutos, adicionando cerca de 451 km de autonomia.
O veículo contará com o conector NACS nos Estados Unidos e portas de carregamento adequadas em outros mercados. Mesmo em carregadores de 400 V, onde o pico de potência cai para cerca de 320 kW, a Mercedes garante que a curva de carregamento se mantém alta por mais tempo em estações de 200 kW. A bateria é composta por 2.660 células, com um formato exclusivo de 105 mm de altura e 26 mm de diâmetro, otimizado para refrigeração líquida.

Conforto e Tecnologia Interior no Novo Elétrico da AMG
Para aumentar o conforto dos passageiros traseiros, o assoalho do Mercedes AMG GT elétrico foi projetado com “foot garages”, recortes que proporcionam espaço adicional para os pés e joelhos, permitindo uma posição de assento mais baixa e melhorando o espaço para a cabeça. Mesmo com a bateria integrada, o veículo apresenta uma redução de aproximadamente 3,8 cm na altura em comparação com o anterior AMG GT 4 portas, provando que eletrificação não significa necessariamente uma postura elevada.
O interior é marcado por telas digitais imponentes no painel, com duas voltadas para o motorista e uma para o passageiro. No entanto, a Mercedes optou por eliminar a maioria dos botões físicos para controle de ar condicionado e volume, concentrando as funções nas telas, com exceção de um controle no volante. Essa abordagem minimalista visa criar um ambiente mais clean e tecnológico, embora possa demandar um período de adaptação para alguns usuários.
Veredito Carro e Mercado
O Mercedes-AMG GT 4-Door Coupe elétrico representa um salto tecnológico ousado para a AMG. A potência bruta de até 1.153 cv e as acelerações dignas de um foguete o posicionam na vanguarda dos veículos elétricos de alta performance. A engenharia por trás dos motores de fluxo axial e a capacidade de carregamento ultrarrápido são pontos fortes inegáveis.
A estratégia de simular a experiência sonora e tátil de um V8, embora controversa para puristas, é uma tentativa inteligente de preencher a lacuna emocional na transição para os EVs. Se essa aposta sonora será suficiente para conquistar e manter a lealdade dos clientes mais fervorosos da AMG, ainda está para ser visto. O custo-benefício, considerando o posicionamento premium da marca e a tecnologia embarcada, será certamente elevado. No entanto, para aqueles que buscam o ápice da performance elétrica com um toque de nostalgia e a garantia de engenharia alemã, este Mercedes AMG GT elétrico se apresenta como uma opção de ponta.
Ficha Técnica
- Marca
- Mercedes-Benz
- Modelo
- AMG GT 4-Door Coupe (Elétrico)
- Potência Máxima (GT 63)
- Até 1.153 cv (com launch control e bateria > 80%)
- Potência Máxima (GT 55)
- 816 cv
- Plataforma Suportada
- Até 1.318 cv
- Aceleração 0-100 km/h (GT 63)
- 2 segundos
- Aceleração 0-200 km/h (GT 63)
- 6,4 segundos
- Aceleração 0-100 km/h (GT 55)
- 2,4 segundos
- Aceleração 0-200 km/h (GT 55)
- 8,7 segundos
- Velocidade Máxima
- 300 km/h
- Bateria
- 106 kWh (ânodo de silício, cátodo NMCA)
- Autonomia Estimada (WLTP)
- 597 a 700 km
- Tensão do Sistema
- 800 V
- Potência Máxima de Carregamento (Pico)
- Acima de 600 kW (em 800 A)
- Tempo de Recarga (10-80%)
- Aproximadamente 11 minutos (adiciona ~451 km)
- Conectores
- NACS (EUA), Portas adequadas (outros mercados)
- Número de Motores
- Três (fluxo axial: 1 dianteiro, 2 traseiros)
- Rotação Máxima dos Motores
- 13.000 rpm (traseira), 15.000 rpm (dianteira)
- Dimensões Externas
- Altura ~3,8 cm menor que o modelo anterior
FAQ
Qual a principal inovação tecnológica do novo Mercedes-AMG GT elétrico?
A principal inovação tecnológica do novo Mercedes-AMG GT elétrico reside na adoção de motores de fluxo axial, uma solução pioneira em um veículo de produção em série. Essa tecnologia, adquirida pela Mercedes-Benz com a compra da YASA, permite que os motores sejam significativamente mais compactos, leves e eficientes em termos de densidade de torque e potência, comparados aos motores radiais tradicionais. São três unidades: uma no eixo dianteiro e duas no eixo traseiro, que em conjunto entregam a performance extraordinária do modelo.
Como o Mercedes-AMG GT elétrico simula a experiência de condução de um V8?
Para preencher a lacuna sensorial na transição para a eletrificação, o Mercedes-AMG GT elétrico emprega um complexo sistema de simulação sonora e tátil. Em modos de condução como o Sport+, o veículo emite sons artificiais de motor V8, conhecidos como “V8 fake”, e simula trocas de marcha de um câmbio de 9 velocidades. Além disso, utiliza vibrações programadas nos bancos para replicar a sensação de um motor a combustão. O objetivo é oferecer aos motoristas uma experiência familiar e nostálgica, mesmo com a natureza inerentemente diferente de um powertrain elétrico.
Quais são os números de desempenho e autonomia do Mercedes-AMG GT elétrico?
O Mercedes-AMG GT elétrico oferece números de desempenho de tirar o fôlego. A versão topo de linha, GT 63, atinge até 1.153 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2 segundos, com 0 a 200 km/h em 6,4 segundos. A versão GT 55 entrega 816 cv e completa o 0 a 100 km/h em 2,4 segundos e 0 a 200 km/h em 8,7 segundos. Em termos de autonomia, a bateria de 106 kWh proporciona uma estimativa de 597 a 700 km segundo o ciclo WLTP, com a capacidade de recarga ultrarrápida em menos de 15 minutos para adicionar centenas de quilômetros.
Qual a estratégia da Mercedes-AMG para a eletrificação e a fidelidade dos clientes?
A Mercedes-AMG adota uma estratégia multifacetada para a eletrificação e a fidelidade de seus clientes. Reconhecendo que o público tradicional valoriza a “alma” dos motores a combustão, a marca investiu em tecnologias como motores de fluxo axial para manter a performance de ponta e adicionou elementos de simulação sensorial para recriar sensações familiares, como sons de V8 e trocas de marcha. Além disso, o design e a experiência de condução buscam manter a identidade AMG, com foco em dirigibilidade e esportividade, mesmo em um plataforma totalmente elétrica. A preocupação com o conforto, como os “foot garages” e a refrigeração da bateria, também demonstra um cuidado em oferecer um pacote completo que vá além da mera potência bruta.



